Mais de 10 mil mulheres sofreram violência doméstica em Rio Branco no último ano, aponta pesquisa
Primeira edição da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco ouviu 800 pessoas em diversas regiões da capital acreana Mais de 10 mil mulheres foram vítimas de...
Primeira edição da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco ouviu 800 pessoas em diversas regiões da capital acreana Mais de 10 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica nos últimos 12 meses na capital acreana. O dados é da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco da Universidade Federal do Acre (Ufac). O levantamento destaca que 10.494 mulheres com mais de 16 anos foram vítimas desse tipo de violência, o que equivale a 7,3% da população feminina adulta da capital. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Segundo os dados, 18,4% das mulheres da capital acreana afirmaram já ter sofrido violência doméstica em algum momento da vida, o que representa uma estimativa de 26.450 vítimas. Levantamento estima que 10.494 mulheres com mais de 16 anos foram vítimas de violência doméstica nos últimos 12 meses Arquivo Pessoal A pesquisa ouviu 800 pessoas em diversas regiões de Rio Branco e verificou a experiência da população em relação à criminalidade e à segurança pública. Um dos recortes trata sobre violência doméstica. O levantamento também revela que, entre as regiões da cidade, a maior incidência de casos nos últimos 12 meses foi registrada na região da Baixada da Sobral e no entorno, onde 9,6% das mulheres relataram ter sofrido esse tipo de violência. LEIA MAIS: Acre investiu menos de 20% dos recursos federais destinados ao combate à violência contra mulher Acre tem maior taxa de feminicídios do país em 2025 Com 111 órfãos por feminicídios em 4 anos, órgãos debatem melhorias em políticas de proteção Em seguida aparecem o Centro e entorno (7,8%), Belo Jardim e Vila Acre (6,8%) e Tancredo Neves e São Francisco (6,1%). Já a zona rural não teve registros declarados na amostra pesquisada. (Veja detalhadamente o gráfico abaixo) A pesquisa identificou ainda que a maior incidência foi observada entre mulheres de 40 a 59 anos, faixa em que 10,7% relataram ter sofrido violência doméstica no último ano. O estudo também mostra que o índice foi mais elevado entre mulheres com ensino médio (8,8%) e fundamental (8,3%), além daquelas com renda familiar de até dois salários mínimos (7,7%). Subnotificações As subnotificações também têm destaque na pesquisa. De acordo com os dados, das mulheres que sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses, apenas 30% registraram boletim de ocorrência, enquanto 70% não formalizaram denúncia. O estudo estima ainda que 7.346 mulheres tenham sofrido violência doméstica no período sem registrar o caso junto às autoridades. “Os dados evidenciam que a violência doméstica em Rio Branco apresenta elevada subnotificação, indicando que uma parcela significativa dos casos permanece fora dos registros oficiais”, detalha parte do relatório. Violência Doméstica: Congresso torna obrigatório uso de tornozeleira pelo agressor Entre os tipos de violência relatados: 60,2% sofreram violência psicológica, incluindo ameaças, humilhações, intimidações, controle financeiro e destruição de bens pessoais; 39,7% dos casos corresponde a violência física. Quando analisadas de forma separada, a pesquisa detalha as formas de agressão sofridas pelas vítimas no último ano: agressão física lidera com 36,5% dos registros; ameaças ou intimidação verbal corresponde a 20,6%; xingamentos e humilhações também somam 20,6%; controle de dinheiro ou retenção de documentos são 9,5%; destruição de objetos pessoais também corresponde a 9,5%; e abuso ou violência sexual somam 3,2%. Principais autores das agressões Conforme a pesquisa, metade dos casos de violência doméstica em Rio Branco teve como agressor um ex-cônjuge ou ex-companheiro, enquanto 30% foram praticados pelo companheiro ou cônjuge atual. Já pais, mães ou responsáveis aparecem em 10% dos registros. Somados, parceiros atuais e antigos respondem por 80% dos casos relatados. (Veja o gráfico abaixo) O estudo também mostra outros dados preocupantes. Apenas 29,9% das vítimas buscaram algum serviço de apoio disponibilizado pelo poder público, enquanto 70% não recorreram a nenhum atendimento especializado. Entre os principais motivos apontados para não procurar ajuda estão a descrença de que alguma providência seria tomada (28,5%), o medo do agressor ou de expor familiares (23,9%) e a percepção de que a agressão não foi grave (23,8%). “[...] A articulação entre os dados da pesquisa e o contexto externo aponta para a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, ampliação do acesso à rede de apoio e redução das barreiras institucionais e sociais que dificultam a denúncia”, destaca a pesquisa. Pesquisa de Vitimização A pesquisa ocorreu através do Grupo de Pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, da Ufac, liderado pela professora drª. Marissol Brandt. Para o estudo, foi contratado o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), através da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Ensino e Pesquisa Universitária no Acre (Fundape), que entrevistou 800 pessoas entre fevereiro e abril deste ano. Os participantes tinham a partir de 16 anos. O lançamento contou com um seminário no Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC), na última terça-feira (16). A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para denunciar casos de violência contra a mulher: (68) 99609-3901 (68) 99611-3224 (68) 99610-4372 (68) 99614-2935 Veja outras formas de denunciar: Polícia Militar - 190: quando a mulher está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel. Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Reveja os telejornais do Acre